Velharias I




A propaganda do regime de então começava logo nos primeiros passos da Escola Primária e assim se manteve por vários anos com apelos constantes ao patriotismo da Mocidade Portuguesa, organização juvenil do Estado Novo, criada em 1936, que pretendia abranger toda a juventude, escolar ou não, e que tinha como finalidade estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto pela disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares.
A sua criação terá sido inspirada na Itália de Mussolini e na Alemanha hitleriana e a ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos.




Estes luxos só apareceram, segundo creio, nos finais da década de 50 do século passado e não eram para todos. Até lá usávamos aqueles pequenos cabos com um aparo na ponta, o qual íamos enfiando no tinteiro à medida da necessidade de escrita e sempre com pavor de "borrar a pintura toda", o que sucedia inúmeras vezes.




O peão e a faniqueira, o ovo de pontear meias, a fisga e o carrinho de rolamentos, eram as Apps dos anos 50/60 do século passado, mas tanto a fisga, como o carrinho aqui publicados parecem ter saído de uma fábrica altamente apetrechada, pois naquele tempo estes equipamentos era fabricados artesanalmente pelos próprios utentes (nós, os putos!).




Sim, muitos dos brinquedos de antigamente eram feitos por nós a partir de restos de latas de conserva e, por vezes, o controlo de qualidade falhava e lá fazíamos um corte num dedo ou na mão, mas nada que anulasse o gozo que aquilo nos dava. E havia malta muito criativa (a necessidade aguça o engenho). O pormenor do volante à distância era um espectáculo!

Não precisávamos de muito para ser felizes. Uma lata de conservas vazia e um "upgrade" à maneira e tínhamos passatempo para alguns dias.




1 - Ferro a carvão para passar roupa.
Fazia-se um braseiro com carvão, com uma tenaz retiravam-se algumas brasas que se colocavam dentro do ferro e, estando o ferro quente, passava-se a roupa a ferro. Quando o ferro arrefecia, mudavam-se as brasas (simples, prático e económico).
2 - Boneco em lata que ainda não cumpria as regras de segurança actuais e que, por isso, por vezes nos fazia cortes nas mãos e dedos.
3 - Rádios dos anos 50 do século passado.





Rádio moderno com relógio (cheio de estilo - anos 60) e relógios antigos.





As famosas giletes que ainda se usavam noa anos 70 e as licenças para usar isqueiros também ainda em 1970





Regras de etiqueta para as senhoras - Muito importante na época!





A publicidade focava-se mais nos produtos que cuidavam (supostamente) da beleza da mulher.



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