06/08/2019

Deixei de fumar!



Deixar de fumar é a coisa mais fácil do mundo. Sei muito bem do que se trata, já o fiz cinquenta vezes.
(Mark Twain)


Teria eu talvez uns 6-7 anos de idade quando dei as minhas primeiras "passas" num cigarro e do que me recordo dessa "façanha" foi o facto de alguém se ter "chibado" na Escola Primária nº71 (já demolida), ali junto à igreja de Cedofeita, cujo Director era o Prof. Valério que também era professor da 2ª classe, que eu frequentava, e que me deu umas valentes reguadas!

Não tenho ideia de ter sentido qualquer sensação especial que não fosse a da “coragem" de aceitar aquele desafio "à homen!"

Provavelmente a experiência foi sendo repetida, por mim e por outros da mesma igualha, para nos sentirmos “já uns homenzinhos" em contraste com aqueles que o não faziam.

E assim o tempo foi passando, até que dei comigo aos 12 anos a comprar cigarros avulso 2 cigarros custavam $50 centavos quando um maço de 20 custava 4$70 - 4 escudos e 70 centavos e me apercebi que já tinha alguma dependência do tabaco porque, muitas das vezes, fumava às escondidas e, portanto, não o fazia com a intenção de mostrar ser já um "homenzinho". E, adaptando a letra do cacilheiro: "a idade foi passando, os cabelos branqueando..." e eu sempre fumando, mesmo depois de ter sofrido uma hemorragia cerebral. Maldito vício!

Foram mais de 50 anos a contribuir estupidamente para os chorudos lucros d'A Tabaqueira" Empresa portuguesa produtora de cigarros, fundada em 1927 por Alfredo da Silva e adquirida pela empresa multinacional Philip Morris International em 1997 mas acabou!

Fumei o último cigarro às 14h00 do dia 26 de Julho de 2019. Ainda só passaram 11 dias, eu sei, mas deixo aqui a minha palavra de honra que não voltarei a fumar. NUNCA MAIS!

Há cerca de 20 anos consegui deixar de fumar e estive perto de 2 anos e meio sem o fazer. Porém, por achar ter sido algo fácil a decisão, e julgar que, voltando a fumar, facilmente voltaria a deixar de o fazer, acabei por regressar ao vício e passei "as passas do Algarve" em várias tentativas de largar o cigarro. Por isso, depois do que passei nessas tentativas e nestes últimos onze dias sem fumar, afirmo mais uma vez e "bem alto":

NÃO VOLTAREI A FUMAR!


E digo-o com a convicção de quem finalmente admite ter sido uma enorme estupidez insistir durante demasiado tempo em manter-se dependente de uma droga que, lenta e silenciosamente, nos corrói por dentro, nos entra no bolso e nos torna irascíveis se, de repente, verificamos que os cigarros estão a acabar e estamos num local e a uma hora incompatíveis com a reposição do stock. Ou não conseguirmos dormir por falta de cigarros e levantarmo-nos às 4 horas da manhã para ir correr toda a cidade à procura de um estabelecimento aberto que vendesse cigarros (hoje seria fácil, mas há 50 anos atrás não).

E o número de vezes (vezes demais!) que iniciámos tentativas de acabar com o vício e, passados 1 ou 2 dias, lá vem o Belzebu segredar-nos ao ouvido: "já fumas há tantos anos e o mal já foi feito, já lá está! Agora já não vais resolver nada", ou então: "Vês tantos médicos a fumar, isso não deve fazer tanto mal como dizem!", ou ainda: "Andas triste sem fumar, um dia vais morrer como toda a gente, vai lá comprar uns cigarritos e quando estiveres mais preparado tenta novamente"? E a história repete-se vezes sem conta até ao dia em que recebemos um pequeno sinal de alerta,"acagaçámo-nos" e afirmamos com toda a assertividade:

"ACABOU, PORRA!"

A má disposição vai andar por aí!

AGUENTEM-SE À BRONCA!




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